26 de janeiro de 2010
Os donos
Os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
O operário trabalha na fábrica, recebe daí um pequeno salário, que mal chega para o seu sustento e da sua família.
Para além de arrecadar a mais-valia do operário, o dono da fábrica também é accionista do banco.
O banco”vende” ao operário o dinheiro para comprar uma casa e cobra-lhe uma percentagem – o lucro do banco.
Mas o operário, tem uns amigos pedreiros e carpinteiros, decide fazer a casa por conta própria – não é problema porque o dono da fábrica e do banco também tem uma empresa de cimento e de tijolos…
O dono do banco, porque é “amigo” do operário, concede-lhe o empréstimo mas o operário tem de fazer seguro de vida, multirriscos, de recheio, etc. Que por acaso as seguradoras também são dele.
E, como operário precisa de se alimentar e sustentar a sua família então, o seu patrão – dono da fábrica, dono do banco, das seguradores – também é o dono do hipermercado que fornece os géneros alimentares e outros, aos operários.
Mas o operário precisa deslocar-se para o trabalho – o patrão não tem nenhuma empresa de transportes mas, como é dono do banco e das seguradoras, “vende-lhe” mais dinheiro para comprar um carro a prestações e vende-lhe também os seguros inerentes.
Como é amigo de fazer bem – o patrão que é dono das fábricas, do banco, do hipermercado, das seguradoras e do stand de automóveis – coloca, junto ao hipermercado, uma bomba de gasolina para que os operários abasteçam as viaturas.
O patrão, “ amigo”, como tem coração de manteiga, quando o operário já estiver esgotado e começar a adoecer – não há qualquer problema, desde que pague, o operário também tem um lar á sua disposição que “por acaso” – o patrão que é dono das fábricas, do banco, das seguradoras, do stand de automóveis, do hipermercado, das bombas de combustível, também é accionista do lar e até é o seu presidente. (os restantes 80% são da igreja).
Quando o operário morrer, o patrão que – é dono das fábricas, do banco, das seguradoras, do hipermercado, das bombas de gasolina, do stand de automóveis e do lar, também tem uma agência funerária, lá estará o patrão para cobrar o funeral e até vende a campa aos familiares para que sintam que fizeram todas as honras ao seu ente querido. Se precisarem de flores ele também vende no seu hipermercado.
Como a família do operário ficou sem dinheiro para acabar de pagar as prestações, o banco do patrão accionou a penhora e foi buscar a casa…
“Os patrões são muito nossos amigos…”
25 de janeiro de 2010
REPÚDIO À PRESENÇA DA TROPA PORTUGUESA NO AFEGANISTÃO

Hoje, 25 daneiro, às 17h30, haverá uma distribuição de folhetos entre o Rossio e a R. Augus
ta, em Lisboa, no âmbito da campanha "Paz Sim! Nato Não". Além dessa acção haverá uma conferência de imprensa. Nessa ocasião será divulgada a carta entregue hoje no Ministério dos Negócios Estrangeiros repudiando o envio de (mais) tropas portuguesas para o Afeganistão. As organizações promotoras da iniciativa afirmam que a cimeira da NATO, prevista para Portugal em Novembro, não é bem-vinda ao nosso País, tendo em conta a natureza agressiva da aliança atlântica e as intervenções militares que tem vindo a desencadear em diversas partes do Mundo. Além disso, registam "o contínuo alargamento do seu âmbito de actuação, o envolvimento crescente da União Europeia nas intervenções da Aliança, assim como os perigos que tal representa para a soberania e para a liberdade dos povos".
Assim, afirmam, "repudiam a estreita dependência dos governos e autoridades nacionais relativamente à NATO e a participação crescente de tropas e forças militarizadas nacionais nos teatros de guerra abertos pelos Estados Unidos da América, bem como o uso irrestrito do território e do espaço aéreo nacionais ao serviço de acções militares que nada têm a ver com o interesse nacional. Isto constitui uma frontal violação do direito internacional e dos princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa". - retirei este aqui - resistir.info
24 de janeiro de 2010
Mais uma golpada
Mais uma golpada - Jorge Viegas Vasconcelos despediu-se da ERSE…
É uma golpada com muita classe, e os golpistas somos nós....
Era uma vez um senhor chamado Jorge Viegas Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve.
Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores. Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregador, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios.
Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês - ou seja, 2.400 contos - durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego.
Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?».
E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!».
E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».
Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos».
Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE foram mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.
Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a bênção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.
Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, e abusivo desavergonhado abocanhar do erário público. Mas, voltemos à nossa história.
O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias, subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia, sem incluir os subsídios de férias e Natal e ajudas de custo.
Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é - e para que serve - a ERSE? A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético.
E pergunta você, que não é burro: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?». Parece que não.
A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço.
Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE? Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga? E tão descarado gozo? Politicas à parte estou em crer que perante esta e outras, só falta mesmo manifestarmos a nossa total indignação.
A Formiga e o Leão
A Formiga e o Leão
O leão montou uma pequena oficina onde trabalhava ele e a Leoa (sua esposa).
Como tinham muito trabalho decidiram contratar a Formiga como assalariada.
O trabalho aumentou e contrataram mais 3 Formigas.
A Leoa deixou de trabalhar e dedicou-se às filhas; ia levá-las e buscá-las à escola, ia às compras e passava horas nos cafés conversando com as amigas.
O Leão continuou na empresa mas fazia pouco… tratava dos orçamentos, das compras e das vendas, ia aos bancos.
As formigas trabalhavam, trabalhavam e eram remuneradas razoavelmente. Obtinham da venda da sua força de trabalho o seu sustento e da sua família.
Em três horas produziam o suficiente para que o Leão lhes pagasse os salários e todos os encargos; seguros, segurança social e demais impostos.
As restantes seis horas eram lucro absoluto para o Leão.
As encomendas cresciam e o Leão contratou mais 6 Formigas. Procurando tirar dividendos das novas contratações, estabelecem um salário mais baixo do que as que lá trabalhavam há mais tempo.
O Leão contratou a aranha para empregada de escritório; tratava dos papeis, ia aos bancos, fazia recebimentos e pagamentos e controlava o tempo das Formigas.
O Leão deixou de trabalhar. Passava pelo escritório por volta das 10 horas, fazia a ronda pela empresa e saía para almoçar regressando pelas 5 horas da tarde.
Comprou um Mercedes para ele e outro para a Leoa. Comprou também 1 jipe para cada uma das filhas que, entretanto tinham ingressado na Universidade.
As Formigas continuavam a trabalhar e a produzir a bom ritmo.
Se produziam tanto sem supervisão, melhor produziriam se fossem supervisionadas – pensou o Leão.
Então contratou a Barata que tinha muita experiência nesta área e fazia belíssimos relatórios.
A primeira preocupação da Barata foi estabelecer um horário rígido de entrada e saída das Formigas.
Tinham de estar no local de trabalho 5 minutos antes das 8 horas e a que se atrasasse era-lhe descontada 1 hora.
A saída ficou estabelecida para as 18 horas desde que não fosse necessário fazer horas extras , que eram pagas como normais.
A Barata precisou de uma secretária para a ajudar a preparar os relatórios e contratou uma mosca que, além do mais, organizava os arquivos e controlava as ligações telefónicas.
O Leão ficou encantado com os relatórios da Barata e pediu gráficos e índices de produção, que eram mostrados em reuniões específicas para o efeito.
O Leão só aparecia na empresa para assistir às reuniões e nem sempre ficava até ao fim.
As Formigas, exaustas de tanto trabalho, ainda tinham que preencher a papelada pedida pela Barata. Começaram a protestar e, o Leão concluiu que era altura de criar a função de gestor da fabricação. O cargo foi dado a uma Cigarra, cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete.
A nova gestora, a Cigarra, precisou ainda de um computador novo , uma impressora e de uma assistente(que trouxe do seu anterior emprego) para ajudar na preparação de um plano estratégico de optimização do trabalho das Formigas e no controlo de do orçamento para a área da produção.
Perante os relatórios, orçamentos e contabilidades, o Leão deu-se conta que tinha despesas a mais e que as Formigas já não rendiam como antes ou seja a produtividade da empresa foi reduzida consideralvelmente.
Contratou a Coruja, uma prestigiada consultora, para que fizesse um diagnóstico e sugerisse as soluções.
A Coruja permaneceu 3 meses nos escritórios e fez um extenso relatório, em vários volumes, que concluíram: “ há muita gente nesta empresa”.
Então o Leão começou por despedir as 4 formigas mais antigas e mais experientes e também as que ganhavam mais.
As 4 juntaram-se e foram ao centro de emprego reclamar os respectivos subsídios. Verificaram que não tinham direito a qualquer apoio porque o Leão nunca as tinha posto como efectivas na empresa. Apesar de lhes retirar do salário a parte para os impostos, nunca tinha entregue esse dinheiro nos respectivos organismos.
As formigas tiveram de tirar os filhos das creches e dos tempos livres porque não tinham como pagar as respectivas mensalidades.
Partiram cada uma para seu lado à procura do seu sustento e das suas famílias.
O Leão, a Leoa e as filhas foram de férias para o estrangeiro deixando a empresa entregue aos directores da sua confiança.
Depois de um mês de ausência, o Leão veio com novas/velhas ideias: reuniu as restantes Formigas e deliberou que a partir daquele momento passavam a ter de trabalhar conforme a conveniência da empresa; Podiam começar às 7 horas da manhã, paravam às 13 e voltavam ao trabalho às 18 horas até fazerem as 9 horas diárias.
Reuniu também com os “gestores” e deu ordens para contratarem outras Formigas a empresas de trabalho temporário.
As filhas do Leão acabaram a Universidade, casaram e o Leão deu a cada um dos genros um lugar de gestão na empresa.
Comprou a cada uma um apartamento na praia como prenda de casamento.
Neste momento o Leão faz contactos para deslocar a empresa para um país de mão-de-obra mais barata e ficar apenas com um departamento, gerido pelos genros e pelos “gestores da sua confiança, para comercialização dos produtos confeccionados lá fora.
As restantes formigas foram despedidas sem qualquer indemnização.
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
23 de janeiro de 2010
Eu quero tirar o 12º ano!
Quando for grande também quero tirar o 9º ano e de seguida o canudo do 12º ano.
Vou ceder ao apelo dos vários cartazes que proliferam por esse país fora e inscrever-me num destes cursos tirados à pressa.
O Slogan é apelativo: Melhor qualificação para ter melhor emprego.
Os empregos escasseiam; há mais desempregados (cerca de 700 mil), não arranjam os jovens, verdadeiramente qualificados, não arranjam trabalho e o que conseguem é precário.
Qualificação em quê? – Basta escrever uma pequena história comentando os vários aspectos da vida profissional e familiar ou copiar um texto da revista “Maria”, do “jornal a Bola”, ou do livro de um clube qualquer; saber fazer “enter” e “delete” no computador e, já está…tens o 9º ano.
Para o 12º pouco mais é necessário, frequenta-se umas aulas, durante um ano, pede-se a alguém que faça uns trabalhitos e, pronto…cá com o diploma. Com direito a ser entregue pelo 1º ministro, com televisão a acompanhar.
Quem beneficia? – o governo que apresenta estatísticas com números elevados de formação; os que estão na engrenagem a receberem muitos euros por hora.
Porque não dar oportunidade a outros? Por exemplo a médicos que tanta falta fazem em Portugal.
Sugiro:
Um jovem com mais de 18 anos que saiba esfolar e abrir um coelho….Médico;
Outro que saiba mudar as fraldas e dar o beberão ao irmão…Educador de infância;
Ainda outro que feito um carrinho de rolamentos…Engenheiro; (por menos o nosso 1º Ministro é engenheiro).
E mais um que tenha feito uma casota para o cão…Arquitecto.
Todos ficamos a ganhar: os pais não pagavam propinas e os filhos não precisavam de andar tantos anos a estudar. O Estado poupava nas Universidades, as estatísticas subiam e podíamos ter a maior taxa de licenciados da Europa.
Paranóia amaricana anti-sovieticos dá tônica de desenho animado
Um novato agente secreto é confrontado com um problema raramente coberto de formação básica:
o que fazer quando um pombo curioso fica preso dentro de sua maleta nuclear de vários milhões de dólares.
o que fazer quando um pombo curioso fica preso dentro de sua maleta nuclear de vários milhões de dólares.
22 de janeiro de 2010
Os preços dos combustíveis PT são maiores do que na UE
No fim da 1ª quinzena de Janeiro de 2010, a GALP e o Automóvel Clube de Portugal envolveram-se em polémica, tendo a GALP divulgado, através da Agencia Lusa, uma declaração em que afirmava que, em Portugal, "os preços actuais estão perfeitamente ao nível do que se verifica nos restantes países europeus ". Ora isso não é verdade como revelam os próprios dados oficiais.
Os preços dos combustíveis sem impostos revertem na totalidade para as empresas constituindo a fonte dos seus lucros. É por isso que os utilizaremos. Dados disponíveis no "site" da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia revelam que, em Janeiro de 2010, em 23 países dos 27 da União Europeia o preço do gasóleo sem impostos era inferior ao preço em Portugal. Em relação à gasolina 95, em 20 países dos 27 da UE27 o preço da gasolina sem impostos era também inferior ao preço em Portugal sem impostos (Quadro I). Esperemos agora que a Agência Lusa, que foi tão solícita e pronta em divulgar a declaração da GALP, faça o mesmo repondo a verdade em nome de uma informação mais objectiva. Se recusar estará conscientemente a participar na campanha de manipulação da opinião pública. Mas o comportamento da GALP ainda se torna mais claro quando comparamos os preços em Portugal com os preços médios da UE27. De acordo com os dados da
Os preços dos combustíveis sem impostos revertem na totalidade para as empresas constituindo a fonte dos seus lucros. É por isso que os utilizaremos. Dados disponíveis no "site" da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia revelam que, em Janeiro de 2010, em 23 países dos 27 da União Europeia o preço do gasóleo sem impostos era inferior ao preço em Portugal. Em relação à gasolina 95, em 20 países dos 27 da UE27 o preço da gasolina sem impostos era também inferior ao preço em Portugal sem impostos (Quadro I). Esperemos agora que a Agência Lusa, que foi tão solícita e pronta em divulgar a declaração da GALP, faça o mesmo repondo a verdade em nome de uma informação mais objectiva. Se recusar estará conscientemente a participar na campanha de manipulação da opinião pública. Mas o comportamento da GALP ainda se torna mais claro quando comparamos os preços em Portugal com os preços médios da UE27. De acordo com os dados da
Terramoto e ocupação
Jorge Cadima - Crónica Internacional - original aqui
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21 de janeiro de 2010
O CINTO
Mais uma vez o Eurostat (o gabinete estatístico da UE) expôs a miséria social em que Portugal se debate, ao apresentar uma análise comparada da taxa de privação material entre os 27 países da União Europeia, num estudo que antecipa e serve a conferência de abertura do Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social, que se realiza hoje mesmo em Madrid, sob a orientação da Comissão Europeia e da presidência espanhola da UE.
O estudo refere-se ao ano de 2008, com valores consolidados, e alguns dados são esmagadores. Por exemplo, a taxa de pobreza em Portugal é de 18% da população, uma das mais elevadas da União, com a agravante de nos extremos etários – os mais novos e os mais velhos – atingir os 23%. Isto significa que 1,9 milhões de portugueses vivem com menos de 414 euros/mês, já depois das transferências sociais (o limiar da pobreza, em Portugal, está situado nos 406 euros/mês). Além disso, 12% dos portugueses que têm emprego estão também em risco de cair numa situação de pobreza.
Concomitantemente, o salário médio dos portugueses é dos mais baixos da Zona Euro – sete euros/hora –, com apenas os eslovacos e os eslovenos a emparelharem nesta miséria. Por exemplo, na Irlanda o salário médio é de 20,83 euros/hora, no Luxemburgo, 19,19 euros e na Bélgica, 17,45 euros, enquanto dinamarqueses e noruegueses ganham uma média de 23 e 24 euros/hora, um valor 244% superior ao auferido pelos portugueses. O sociólogo Bruto da Costa, presidente do Conselho Económico e Social, referiu ao DN que, mais importante do que a diminuição do número de pobres é a lentidão com que tem vindo a descer no nosso País (em 2004 o índice de pobreza em Portugal situava-se nos 20%, em 2005 desceu para 19%, em 2006 para 18%, mantendo-se nesse valor desde aí). E conclui que, a este ritmo, chegaremos a 2015 com um índice de pobreza «bastante elevado para os objectivos do Milénio».
Para completar o quadro, o Eurostat concluiu igualmente que 35% dos portugueses não têm rendimentos suficientes para manter um sistema de aquecimento em casa (a média europeia, neste capítulo, está nos 10%), enquanto 64% dos nossos compatriotas não conseguem pagar uma semana de férias fora de casa (a média europeia está em cerca de metade – 37%).
Desgraçadamente, o Euroestat não estuda as percentagens e a evolução das fortunas em Portugal – como, aliás, nenhum organismo nacional, público ou privado o faz. Nem sequer o fisco, que tão assanhado anda a esmifrar todos os cêntimos a quem vive dos salários, nem o Governo de Sócrates, que tanto se queixa da quebra das receitas do Estado, se preocupam com a fuga dos capitais que escorrem abundantemente para os paraísos fiscais, onde as fortunas dos novos e velhos ricos se empilham impunemente e, sobretudo, sem darem um tostão furado ao País que extorquiram.
Tal como não se incomodam que os bancos ganhem fortunas colossais em tempo de «crise» (seis milhões de euros por dia, no último balanço) e apenas paguem cerca de 12% de impostos ao Estado (qualquer trabalhador paga perto de 30%). Nem que as mais-valias adquiridas na especulação bolsista continuem escandalosamente isentas de impostos.
Só estes elementares actos de justiça fiscal dariam para equilibrar o défice e sanear as Finanças do Estado.
Mas isso não querem os donos do regime. Por isso o Governo Sócrates, que os representa, faz o habitual: aponta para os dados do Eurostat e reclama que «é preciso apertar o cinto».
Henrique Custódio
original aqui
Afinal porquê a crise?
Fala-se muito na desregulação do sistema financeiro, em produtos tóxicos ou na bolha de crédito mal parado. E o cidadão fica perguntando qual é afinal a causa da crise. Adam Smith, o grande economista do equilíbrio perfeito entre a oferta e a procura decerto se espantaria com a arrogância dos que querem dar comandos ao mundo a partir de um omnipotente «mercado global». Mas vejamos: há mais de 150 anos o cidadão Karl Marx já falava sobre as crises do capitalismo. São, dizia ele, crises de sobreprodução em relação à capacidade de consumo solvente. Isto é: em relação à capacidade de pagamento de que a população dispõe. E aqui entra contradição insuperável do capitalismo: É que, ao mesmo tempo que desenvolve a capacidade produtiva do homem, com a apropriação privada da mais-valia provoca uma pauperização crescente à escala mundial e nos próprios países capitalistas. E daí a queda de consumo solvente de que Marx falava. O «crédito fácil» criou a ilusão de que a capacidade de consumo crescia e soprou a «financeira». Expressão, tal como os «produtos tóxicos», da ganância de lucro de que o capital é inseparável. Como aditamento vale a pena acrescentar: Quando a pretexto da crise se esmaga o valor da força de trabalho para aumentar os lucros – diminuindo assim a capacidade de consumo solvente – o capitalismo está preparando novas e mais graves crises para o futuro. original aqui |
20 de janeiro de 2010
Horários de trabalho - "sol a sol"
A gravidade da ofensiva do patronato no sentido de desregular o horário de trabalho e impor como jornada de trabalho "normal" as 10, 12 ou mesmo 14 horas por dia sem o pagamento de qualquer compensação a título de trabalho suplementar.
Haiti - INTERVENÇÃO DE ILDA FIGUEIREDO NO PE
Também nos associamos às condolências e ao lamento que todos fazemos à tragédia que se abateu sobre o povo do Haiti e manifestamos-lhe toda a solidariedade. Mas não podemos deixar de sublinhar algumas questões que consideramos fundamentais, começando por rejeitar que alguém ou algum país se procure aproveitar desta catástrofe para retomar o neocolonialismo, como parece indiciar o envio de milhares de soldados norte-americanos armados, esquecendo a pobreza em que vive a maioria da população, que continua vítima da exploração de multinacionais e de interferências externas, designadamente dos EUA.
Este é um momento para todos os apoios humanitários, a cooperação e ajudas à reconstrução que a nobreza e valentia do povo do Haiti merecem. Recorde-se que foi ali onde 400 mil africanos escravizados e traficados pelos europeus se revoltaram contra a escravidão e realizaram a primeira grande revolução social do continente americano. Não se deve tardar nos apoios urgentes e devidamente coordenados mas sem ceder às tentações neocoloniais.
Água volta a aumentar em Alcobaça
CÂMARApsd E GOVERNOps AUMENTAM AS DIFICULDADES
O CUSTO DA PRIVITIZAÇÃO
De 2005 a 2009, houve aumentos de 300% e 400%
+ 5,5% 2010
De 2005 a 2009, houve aumentos de 300% e 400% na grande maioria das facturas dos munícipes no que respeita (água, saneamento e resíduos sólidos).
Hoje a grande maioria dos alcobacenses, com esta proposta, vai pagar + 5,5% na água, exactamente no ano em que pela prática de muitos anos anteriores deveria haver uma redução.
Em muitos anos o critério básico de aumento foi o índice dos preços ao consumidor... Todos estes anos houve aumentos tendo em conta esse critério... Exactamente no ano em que o índice é -1% é a Câmara que decide aumentar 5,5% a água.
Câmara fez acordo ruinoso com a Empresa Águas do Oeste e este entra em vigor em meados de 2010 com aumento de 5,5%. A Câmara quer desta forma passar essa factura para os consumidores.
O vereador do PCP votou contra!
19 de janeiro de 2010
Mineiros de Aljustrel "com a porrada nos interrogatórios eu já caía, sempre sem dizer nada"
Retirado do Blog Cravo de Abril
“- Olhe, houve ali um problema com o seu marido mas não esteja em cuidados, que ele é capaz de não vir esta noite mas é capaz de vir amanhã!”
Isso nunca aconteceu, pois, porque eu fui levado para Caxias e estive incomunicável três meses. Estive três meses incomunicável. Ao fim de três meses sou levado para a António Maria Cardoso, que era a sala da tortura – onde estavam os pides todos! – sou levado para lá e estive quatro dias e quatro noites. Davam-me uma cadeira, e depois tiraram-me a cadeira e já não tinha sítio para me sentar nem nada!, e então com a porrada nos interrogatórios eu já caía, sempre sem dizer nada! E então ao fim de quatro dias levaram-me para o Aljube. Meteram-me numa cela em que para conseguir dar dois passos tinha que fechar a cama! Aquilo tem um grampo e a parede tem uma coisa onde se prende e a gente fica com aquele bocadinho para andar! Salvo erro eu tenho a impressão que dormi cerca de dois dias! Batiam-me à porta para me dar qualquer coisa de comida mas eu praticamente não comia. Tinha falta de descanso, aquele moer da cabeça… um gajo esgota-se, não é? Depois, periodicamente era levado para a Maria Cardoso para interrogatórios! Levar porrada! Porrada num gajo!
“- Então, diz lá como é que era aquilo, há quanto tempo pertencias ao Partido?
- Eu nunca pertenci a partido nenhum!”
18 de janeiro de 2010
Trabalho infantil
Mais de 200 milhões de crianças são obrigadas a trabalhar diariamente em diferentes países do mundo, segundo estima a Organização Mundial do Trabalho. O relatório, divulgado no dia 12, data mundial dedicada ao combate a este flagelo, indica que três em cada quatro dessas crianças e adolescentes estão expostos às piores formas de exploração laboral, designadamente tráfico, conflitos armados, escravatura, exploração sexual e trabalhos de risco. A OIT sublinha que estas actividades «prejudicam de forma irreversível o seu desenvolvimento físico, psicológico e emocional». Em Portugal, a Confederação Nacional de Acção Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI) aponta falhas à fiscalização e assinala que, apesar das melhorias, não se pode dizer que o trabalho infantil se extinguiu. Existe em particular no meio artístico e na agricultura familiar, refere a CNASTI.
17 de janeiro de 2010
16 de janeiro de 2010
"Se o povo não se afastasse de deus não aconteciam desgraças"
Hoje, manhã bem cedo, desloquei-me ao mercado para comprar os habituais produtos hortícolas.
Aproximei-me da banca onde regularmente compro, e vi produtos muito frescos e viçosos
Com aspecto muito atraente. Escolhi, comprei e, quando me vinha embora perguntei à camponesa: - então o temporal não fez estragos nos teus terrenos e estufas?
- Respondeu: - Graças a Deus não!
- Tiveste sorte de o Deus estar no teu quintal e não se ter preocupado com os milhares de mortos no Haiti…
- Lá estás tu com essas coisas, deus sabe que eu acredito nele, rezo muito e, por isso, protege-me.
- Mas olha que no Haiti a maioria daquela gente também era muito crente ao seu Deus.
- Se Deus não os protegeu por alguma razão foi…
- Mas afinal parece que o teu deus não é assim tão poderoso como dizes, falei há pouco com o teu marido, disse-me que andou à chuva e ao vento a reforçar as estacas das estufas e que se não o tivesse feito tinha ido tudo pelos ares. Possivelmente não rezaste o suficiente ou o teu Deus ficou sem forças para segurar o resto das estufas e teve de ser socorrido, como ficou extenuado já não conseguiu acudir aos do Haiti, aos agricultores de Torres Vedras e tantos outros que ficaram sem nada.
- Tu és terrível :-)
“A religião é o ópio do Povo”
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