Além!

Porque o silêncio é às vezes o caminho mais dificil, é preciso encontrar avenidas de tambores a rufar entre tantas mordaças, para construir a sempre inacabada e desejada felicidade, de viver sempre a juventude presente. Tempo de desejo é sempre tempo de Futuro.

6 de novembro de 2017

Força e esperança para milhões de trabalhadores em todo o mundo


A Revolução de Outubro projectou-se em todo o mundo.
Principais conquistas da Revolução de Outubro de 1917
·         Direito à habitação;
·         Assistência médica gratuita;
·         Educação gratuita;
·         Direito de todos os cidadãos, independentemente do sexo, a votar e a serem eleitos;
·         Direito à livre criação e fruição da cultura;
·         Legalização do divórcio;
·         Fim da distinção entre filhos legítimos e ilegítimos;
·         Desporto para todos;
·         Garantia e promoção dos direitos das mulheres, das crianças, dos jovens e dos idosos
Paz e a solidariedade internacional
·         decreto da Paz foi primeiro do novo poder soviético e apelava a todas as nações em guerra para que se alcançasse a Paz. Uma paz justa e democrática sem vitórias humilhantes.
Trabalho:
Com a Revolução de Outubro e a consequente reestruturação da economia, os trabalhadores alcançaram um importante conjunto de direitos tais como:
·         Direito ao trabalho;
·         Proibição do trabalho infantil (menores de 14 anos);
·         8 horas de jornada máxima de trabalho, que  foi sendo diminuída, ao longo dos anos e teve em conta a especificidade de determinadas profissões. Em 1960, instituiu-se as 7 horas de trabalho diário, e em certos sectores da indústria, as 6 horas;
·         Férias pagas;
·         Direito à protecção social. Segurança Social para todos os assalariados (campo e cidade) abrangendo todas as categorias de perda de capacidade de trabalho, como doença, velhice, parto, viuvez, orfandade e desemprego. As entidades empregadoras (estatais, cooperativas ou outras) tinham de comparticipar com 4,5% da massa salarial para o Fundo da Segurança Social;
·         Pela primeira vez nas empresas, os trabalhadores integraram a gestão;
·         Com o socialismo, o desemprego desaparece. O Estado soviético afirma que não há nenhum trabalhador soviético que não encontre trabalho.
Economia
·         A partir de 1929, a economia soviética passou a ser planeada, desenhada e desenvolvida de acordo com planos quinquenais (planos de desenvolvimento económico), com vista a contrariar a situação catastrófica em que a economia se encontrava, fruto do regime czarista (atraso no desenvolvimento industrial e económico da Rússia) e de vários anos de guerras.
·         Com o objectivo de melhorar as condições de vida do povo, garantir a independência e soberania nacional, a aposta no desenvolvimento da indústria, os sucessivos planos quinquenais assumiram um papel fundamental na gigantesca transformação da URSS numa poderosa nação industrial e agrícola.
·         Assente em novas técnicas de produção, extracção e mecanização surge uma grande produção mecanizada. A indústria pesada, particularmente, a construção de máquinas, a indústria energética e siderúrgica passaram a constituir a medula da nova economia.
·         O intenso processo de electrificação da Rússia (mais tarde, União Soviética) fez com que, por exemplo, em 1958, a produção eléctrica fosse de tal forma gigantesca que, se produzia, em cada três dias, tanta energia como num ano do regime czarista
·         Em 1967, a URSS produzia quase um quinto de toda a produção industrial mundial.
·         No que concerne à agricultura, o Decreto sobre a Terra assume importância vital por determinar a abolição da propriedade latifundiária, garantindo desta forma a redistribuição da terra ao povo russo e contribuindo para a subsistência de toda a nação. Mais tarde, face à necessidade de electrificar a agricultura e de aumentar a produção agrícola - a única solução exequível para garantir condições melhores a milhões de camponeses - cooperativou-se a exploração agrícola. As pequenas explorações agrícolas deram lugar a cooperativas agrícolas de camponeses: kolkhoses e às unidades do Estado: sovkhozes.
·         Era fundamental alimentar o povo, desenvolver a economia e garantir a independência e soberania alimentar por via de uma intensa produção agro-pecuária. Só em 1967, foram distribuídos pelos camponeses um milhão e 790 mil tractores com o objectivo de contribuir para a melhoria das condições de trabalho, bem como para o aumento da produção alimentar, garantido consequentemente melhores rendimentos aos camponeses.
·         O crescimento industrial permitiu fornecer novas bases técnicas à agricultura, aos transportes, às comunicações e a outras áreas da economia.
Mulheres
·         A Revolução de Outubro emancipou a mulher russa e serviu, igualmente, de barómetro para as mulheres do mundo inteiro. As transformações foram de tal forma revolucionárias que muitas delas se mantêm actuais. Os direitos das mulheres e das crianças integravam desde o início o programa dos revolucionários russos;
·         A maternidade era considerada uma importante função social – não só pelas decisões no tocante ao trabalho, como pelos apoios ao desenvolvimento das crianças – revestindo-se de um conjunto de direitos numa perspectiva abrangente, alcançando várias dimensões da vida (trabalho, salário, habitação, saúde, incluindo a saúde sexual e reprodutiva, educação, lazer, cultura, etc);
·         Licença de maternidade remunerada com duração de 12 ou 16 semanas;
·         Proibição do despedimento da mulher grávida;
·         Nos meses anteriores ao parto, as mulheres tinham direito a trabalhos mais leves, sem perda de quaisquer direitos;
·         Em caso de aborto havia lugar a licença remunerada durante três semanas;
·         Durante a amamentação eram dispensadas do trabalho por 30 minutos a cada três horas para amamentar o bebé;
·         Creches nas unidades fabris, universidades, etc.
·         Deixa de haver restrições, em função do sexo, a determinadas profissões;
·         Igualdade de direitos entre homens e mulheres na família, na vida e no trabalho;
·         Para trabalho igual, salário igual entre homens e mulheres
·         Clínicas específicas que prestam informação e disponibilizam métodos contraceptivos.
Educação
Com a Revolução de Outubro o combate ao analfabetismo foi intenso.
·         Abriram-se escolas em todo a Rússia. Nos primeiros anos, a prioridade da educação incidiu em milhões de crianças, mas também em milhões de adultos que aprendiam a ler e a escrever.
·         Cresce o número de escolas primárias, pré-escolar, escolas técnicas, universidades e outros estabelecimentos de ensino superior, bibliotecas, museus, escolas de adultos e creches, nomeadamente em unidades fabris;
·         Em 1926, em apenas nove anos, a taxa global de alfabetização atingiu os 65%;
·         Em 1938, a escolaridade obrigatória passou a ser de 10 anos, no mínimo até aos 17 anos;
·         São distribuídas refeições quentes gratuitas em todas as escolas primárias e secundárias;
·         Em 1937, o direito à instrução é plenamente garantido:
o    340 000 pessoas estudam nas escolas de ensino das fábricas;
o    300 000 pessoas estudam nas faculdades operárias;
o    840 000 pessoas nas escolas de ensino técnico;
o    500 000 pessoas frequentam o ensino superior;
o    7.500 000 pessoas frequentam os institutos da indústria pesada e ligeira, de transportes e de agricultura;
o    8.500 000 de crianças frequentam o ensino pré-escolar;
o    10.000 000 de pessoas frequentam as escolas para adultos
o    28.000 000 de crianças frequentam as escolas primárias e secundárias
Saúde
·         A Saúde assume um carácter universal e gratuito. Com a Revolução multiplicam-se as unidades de saúde, nomeadamente infanto-maternal, por todo o território com vista ao alargamento da cobertura e aumento dos níveis de cuidados de saúde.
·         As medidas são de tal forma significativas que a taxa de mortalidade infantil (um dos principais indicadores de saúde), passa de 27%, em 1913, para 18%, em 1927. Uma diminuição de 9% em 14 anos;
·         Constroem-se hospitais, unidades de saúde infantis, de saúde materna, maternidades. Por exemplo, em 1917, não existia qualquer equipamento na área da saúde materna, mas em 1927, já tinham sido construídas 270 novas unidades.
Força e esperança para milhões de trabalhadores em todo o mundo
A Revolução de Outubro projectou-se em todo o mundo.
Hoje, com o desaparecimento da União Soviética , o mundo tornou-se mais perigoso, os direitos alcançados pelos trabalhadores estão a ser abolidos, a exploração aumentou desenfreadamente.   

A Comuna de Paris


Comuna de Paris foi o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante a invasão por parte do Reino da Prússia.
A Comuna de Paris — considerada a primeira república proletária da história — adotou uma política de caráter socialista, baseada nos princípios da Primeira Internacional dos Trabalhadores.
O poder comunal manteve-se durante cerca de setenta e dois dias. Seu esmagamento revestiu-se de extrema crueldade. De acordo com a enciclopédia Barsa, mais de 20 000 communards foram executados pelas forças de Thiers.
O governo durou oficialmente de 26 de março a 28 de maio, enfrentando não só o invasor alemão como também tropas francesas, pois a Comuna era um movimento de revolta ante o armistício assinado pelo governo nacional (transferido para Versalhes) após a derrota na guerra franco-prussiana. Os alemães tiveram ainda que libertar militares franceses feitos prisioneiros de guerra para auxiliar na tomada de Paris.
Em semanas, a recém nomeada Comuna de Paris introduziu mais reformas do que todos os governos nos dois séculos anteriores combinados:
1.   O trabalho noturno foi abolido;
2.   Oficinas que estavam fechadas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas;
3.   Residências vazias foram desapropriadas e ocupadas;
4.   Em cada residência oficial foi instalado um comitê para organizar a ocupação de moradias;
5.   Todas os descontos em salário foram abolidos;
6.   A jornada de trabalho foi reduzida, e chegou-se a propor a jornada de oito horas;
7.   Os sindicatos foram legalizados;
8.   Instituiu-se a igualdade entre os sexos;
9.   Projetou-se a autogestão das fábricas (mas não foi possível implantá-la);
10. O monopólio da lei pelos advogados, o juramento judicial e os honorários foram abolidos;
11. Testamentos, adoções e a contratação de advogados se tornaram gratuitos;
12. O casamento se tornou gratuito e simplificado;
13. A pena de morte foi abolida;
14. O cargo de juiz se tornou eletivo;
15. calendário revolucionário foi novamente adotado;
16. O Estado e a Igreja foram separados; a Igreja deixou de ser subvencionada pelo Estado e os espólios sem herdeiros passaram a ser confiscados pelo Estado;
17. A educação se tornou gratuita, laica e compulsória. Escolas noturnas foram criadas e todas as escolas passaram a ser de frequência mista;
18. Imagens santas foram derretidas e sociedades de discussão foram adotadas nas Igrejas;
19. A Igreja de Brea, erguida em memória de um dos homens envolvidos na repressão da Revolução de 1848, foi demolida. O confessionário de Luís XVI e a coluna Vendôme também;
20. Bandeira Vermelha foi adotada como símbolo da Unidade Federal da Humanidade;
21. O internacionalismo foi posto em prática: o fato de ser estrangeiro se tornou irrelevante. Os integrantes da Comuna incluíam belgas, italianos, poloneses, húngaros;
22. Instituiu-se um escritório central de imprensa;
23. Emitiu-se um apelo à Associação Internacional dos Trabalhadores;
24. O serviço militar obrigatório e o exército regular foram abolidos;
25. Todas as finanças foram reorganizadas, incluindo os correios, a assistência pública e os telégrafos;
26. Havia um plano para a rotação de trabalhadores;
27. Considerou-se instituir uma Escola Nacional de Serviço Público, da qual a atual ENA francesa é uma cópia;
28. Os artistas passaram a autogestionar os teatros e editoras;
29. O salário dos professores foi duplicado.

Cento e quarenta anos depois, aqui em Portugal e no mundo em geral, as politicas dos sucessivos governos impõem o regresso ao período antes da Comuna de Paris. Foram apenas setenta e dois dias, mas a lição que esses revolucionários deram ao mundo, a coragem, a determinação, mostrou-nos que com a luta revolucionária é possível mudar a sociedade.


22 de novembro de 2016

A Manifestação de 18 de Novembro de 2016

Homens e mulheres de pele queimada pelo sol  e mãos calejadas de tantos e tantos anos a varrer, a limpar, a cuidar de ruas e jardins, a reparar esgotos e canos de água, de sistemas eléctricos e tantos outros que trabalham nas mais variadas tarefas, desfilaram debaixo de chuva intensa para protestarem  e reivindicarem salários dignos de quem trabalha, progressão nas carreiras, e tantos e tantos direitos que lhe têm sido roubados.
Desta vez não senti que fosse um passeio na avenida de copo de cerveja na mão para reencontrar amigos  que há mais de uma ano não se encontravam, desta vez vi gente determinada a lutar pelo que lhes é devido. Desta vez vi uma grande massa de homens e mulheres que executam os trabalhos mais duros, mais sujos, mas que ganham salários de miséria ao nível do mínimo nacional ou pouco mais.
Funcionários públicos são também aqueles que quase não se dá por eles, são os que trabalham noite dentro para recolherem o lixo que todos produzimos, que varrem, que conduzem máquinas, que recebem as crianças nas escolas, que lhes dão os almoços e que sem eles as escolas não funcionam, são os auxiliares do sistema de saúde que também sem eles não há hospitais que funcionem, são estes e tantos outros que têm sido caluniados, mal tratados, marginalizados por sucessivos governos apostados em liquidarem tudo o que é público para beneficio do que é privado.
Também ali estavam protestando centenas ou milhares de professores que reclamam dos horários excessivos, contra a precariedade, contra a bandalheira em que se encontra o ensino em Portugal.
Ali estavam as gentes que trabalham, os trabalhadores em funções públicas. Os colaboradores ficaram a lamber as botas aos chefes e superiores.

Sim , esta foi uma manifestação diferente, foi uma manifestação combativa para dizer não à paz social, foi uma manifestação de protesto e reivindicação. Espero que muitos tenham percebido a mensagem!

28 de outubro de 2015

“Alfredo”, “ o Mário”, “o Joaquim”, “o António”, “o Miguel”, e mais de cem operários que pagam para trabalhar. Pagam para trabalha!

“Alfredo”, “ o Mário”, “o Joaquim”, “o António”, “o Miguel”, e mais de cem operários que pagam para trabalhar. Pagam para trabalha!
Na região, ligada ao mesmo ramo, mais uma empresa onde mais de cem operários não recebem salários há mais de três meses.
Não há dinheiro para os salários de quem trabalha mas há muito dinheiro para luxos, para viagens e lojas para amantes, carros de grande cilindrada, autocaravanas.
Todos os dias os operários continuam a deslocar-se para o trabalho e produzem normalmente, pagando dos eu bolso o combustível e alimentação do dia-a-dia.
Anteriormente era afixada a lista dos trabalhadores, seus salários e montantes dos vencimentos a pagar por transferência bancária. Actualmente a lista continua a ser afixada com indicação de que os ficheiros foram enviados ao banco para respectivo pagamento dos salários, a diferença é que não o banco não paga porque o dinheiro não existe. Não pagam e ainda gozam com quem trabalha.
Há fome, há miséria e perda de habitação por falta de pagamento das prestações aos bancos. Há cortes na água e luz eléctrica porque os trabalhadores não têm dinheiro para pagamento das facturas.
A empresa continua a produzir normalmente, exporta parte da produção mas o dinheiro não chega aos bolsos de quem produz.
As autoridades nada fazem e são coniventes com os patrões que pouco ou nada se importam com a vida de quem trabalha.







25 de outubro de 2015

“Alfredo” paga para trabalha!

“Alfredo” paga para trabalha!

 “Alfredo” é um operário fabril que passa dez horas agarrado a uma prensa fabricando telhas, trabalha por turnos de dia e de noite e tem de fazer uns biscates para poder sobreviver.

O “Alfredo” ganha 530 euros por mês, gasta uns 100 euros de gasolina para ir trabalhar, gasta cerca de 150 euros por mês na sua alimentação, mesmo levando o comer de casa, sobram-lhe 280 euros para pagar a prestação da casa, para alimentar as duas filhas de 10 e 16 anos.

A empresa onde o “Alfredo” vende a sua força de trabalho tem uma situação desafogada, uma das melhores da região mas não perde oportunidade para baixar os rendimentos de quem trabalha: anteriormente “Alfredo” e os restantes trabalhadores (mais de 100) recebiam 25 euros extras por cada domingo trabalhado e recebiam também o subsídio de alimentação em tempo de folga, a pretexto da crise esses suplementos foram retirados; recentemente, também a pretexto da crise mas a empresa precisa que os trabalhadores trabalhem para além das horas normais, as horas extras que eram pagas em dinheiro passaram a contar para o banco de horas e a serem utilizadas de acordo com a disponibilidade da empresa e não de acordo com as necessidades dos trabalhadores. “Alfredo” e outros quatro trabalhadores do mesmo turno recusaram fazer horas extras se não forem pagas em dinheiro. “Alfredo” e os restantes colegas receio serem penalizados e discriminados por tal a posição de força. Mas “Alfredo” tem consciência de que já tem pouco a perder e vai levar a sua posição atá às últimas consequência.

Para alguns “papagaios” que enchem a boca com a defesa dos trabalhadores não basta aparecer de quatro em quatro anos a fazer campanha eleitoras e distribuir uns panfletos, é necessário conhecer a realidade do dia a adia de quem vive uma vida de miséria, que se esfola a trabalhar mas que não vê resultado do seu esforça. É preciso estar lá, conhecer no concreto cada situação, falar muito e permanentemente com os operários, com os trabalhadores e encaminhar o seu descontentamento no sentido da luta efetiva através das organizações de classe que os representam.

Nota final – infelizmente a ditadura burguesa que se implantou em Portugal não me permite divulgar o nome real do “Alfredo” sob pena de amanhã não ser impedido de ocupar o seu posto de trabalho que apesar de mal remunerado é necessário para pagar o pão do dia a dia.  


17 de maio de 2015

SÃO TODOS IGUAIS?

SÃO TODOS IGUAIS?

Claro que não são todos iguais mas são muito parecidos e estão ao nível do mais sujo e reaccionário que se pratica por aí.

Na política não basta apregoar boas práticas é preciso provar na  que somos diferentes.Comunistas e gente que se diz de esquerda, `a frente de direcções de colectividades, IPSS e outras instituições, que na prática fazem o mesmo e actuam como os patrões mais retrógrados e reaccionários, mais vale que se demitam e não enxovalhem o bom nome do partido a que pertencem. Explorar, humilhar, discriminar e mal tratar os trabalhadores não está de acordo com os princípios que defendem ou que dizem defender.

O Centro Cénico da Cela, uma instituição fundada antes do 25 de Abril de raízes antifascista  e linhas  progressistas, comporta-se hoje como qualquer empresa capitalista e como os patrões saudosistas do passado. Há muito que me chegam críticas à actuação da direcção do Centro Cénico da Cela para com os trabalhadores: Utilização dos mecanismos anti-sociais implementados pelos diversos governos de direita – contratos a prazo; estágios profissionais de duvidosa utilidade para quem trabalha, a não ser o camuflar o desemprego e as instituições usufruírem de mão-de-obra gratuita…   

 Recentemente a direcção do Centro Cénico da Cela despediu uma trabalhadora que estava com contrato a prazo mas teve o “azar” de querer ter mais um filho. A senhora teve de meter baixa por se tratar de uma gravidez de risco e a direcção despediu-a antes de acabar o fim do respectivo contrato precário. 

Esquece a direcção do Centro Cénico da Cela o mais elementar direito de quem trabalha: Direito ao trabalho, à vida digna, à maternidade e a ser pai ou mãe, a ter filhos que um dia mais tarde poderão alimentar o negócio das creches do Centro Cénico e de tantas outras que por aí existem.

Poderão as “virgens” ofendidas criticar-me por denunciar esta situação publicamente mas não ficaria bem com a minha consciência e com os princípios que defendo se pactuasse com estas injustiças. Infelizmente não é situação única na região. Anteriormente outras seguiram o mesmo caminho e desprezaram quem trabalha e se esforça para dar o seu melhor em prol destas instituições e    na altura foram por mim e por outros denunciadas. 

Terão sempre o meu desprezo e a minha voz activa na denúncia destas injustiças.

Caetano Tofes

Peço desculpas aos Srs. Dirigentes, indignados, do Centro Cénico da Cela porque errei. Afinal a trabalhadora não foi despedida, foi convidada a despedir-se mas como recusou recebeu uma carta de despedimento 1 mês antes de caducar o contrato de um ano que tinha com a instituição.
Uma semana depois estavam pedidos no Centro de Desemprego para a mesma tarefa da trabalhadora despedida.
Parece que só os dirigentes não sabiam que a trabalhadora estava grávida quando esta teve o cuidado de informar, primeiro que a sua família, os seus superiores, colegas e utentes da sua situação de futura mãe.
É melhor ficarmos por aqui e que no futuro não voltem a acontecer casos destes porque há casos muito mais graves e recorrentes.


7 de maio de 2015

Escravatura do século XXI


Na DERONE Confecções SA,http://www.derone-sa.pt/ empresa têxtil de S. Mamede, concelho da Batalha, os trabalhadores não recebem há dois meses e meio os seus baixos salários por inteiro. Em Março receberam apenas 200 euros cada um e com uma advertência dos patrões para que poupassem aqueles míseros euros.
Na DERONE Confecções SA  as 300 trabalhadoras apesar de não receberem continuam a deslocar-se diariamente com despesas de gasolina, desgaste das viaturas,  refeições  para assegurarem a produção de artigos destinados à exportação. As trabalhadoras pagam para trabalharem e o patrão fica com tudo.
Onde anda a Autoridade para As condições do Trabalho que não intervém, que não investiga a razão de naquela a produção continua a fazer-se sem interrupção, os produtos são exportados regularmente mas o dinheiro não chega aos bolsos das trabalhadoras?
E o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis e Lanifícios que tem feito para organizar, unir e esclarecer as trabalhadoras no sentido de reivindicarem e lutarem pelo que lhes pertence? Não são sindicalizadas? - Mas são trabalhadoras a necessitarem de ajuda, de solidariedade, de intervenção de todas as formas para que justiça seja feita.
A Liberdade e a Democracia ainda não passaram por aqui, o medo, a repressão estão presentes em muitas empresas como a DERONE Confecções SA. Mesmo sem receberem os patrões, ajudados pelos seus encarregados lacaios, continuam a exigir das trabalhadoras mais produção, maior produtividade, mais motivação, mais e mais trabalho.
Como é possível que dois patrões/patroas consigam manietar, amedrontar e gozarem com 300 trabalhadoras abnegadas, esforçadas que trabalham mas não recebem nada pelo seu esforço despendido?  
AS trabalhadoras perderam o salário e correm o risco de perderem o posto de trabalho, nada resta. Já toleraram tudo: A falta de salário, a falta de respeito por parte dos patrões, a repressão, a humilhação mas continuam a produzir e a deslocarem-se diariamente para o seu local de trabalho.
As trabalhadoras têm de lutar, têm de reivindicar o que lhes pertence, têm direito ao salário a viverem a sua vida com dignidade. Têm o direito e dever de não trabalharem enquanto os seus direitos não forem respeitados sobe pena de perderem o salário, o emprego e hipotecarem o seu futuro.

Esta empresa encerrou e as 300 trabalhadoras foram para o desemprego.




20 de novembro de 2013

Se o Menino nascesse hoje!

Se o menino Jesus nascesse hoje sua mãe ia pari-lo numa "cantina social" - sopa dos pobres- o padre Melicias faria uma oferta duns trapinhos velhos rotos e sujos que lhe sobraram das campanhas a favor de Timor. D. Policarpo daria a sua bênção pela vinda de tão frágil criatura a este mundo de merda e apelaria à resignação e à humildade para uma vida futura de miséria e pobreza.
Assunção Cristas faria de vaca leiteira mas a criança nascia com alergia ao leite de vaca. O Mota Soares faria de burro e o puto ficaria de olhos esbugalhados por nunca ter visto um burro a andar de lambreta.
Paulo Portas e Paços Coelho seriam os camelos vindos deste deserto lusitano para apelarem à contenção das despesas do casal e ditarem  que não se safariam de pagar um imposto de sobrevivência.
Todas as ovelhas ranhosas do governo viriam em massa cheirar onde  ir roubar mais alguma coisa.
Cavaco Silva seria o moço de estrebaria que zela pela imundice deste estábulo à beira mar plantado. 
A Srª Isabel Jonet faria um apelo à generosidade do bom povo português para contribuírem nesta data tão significativa, o povo correria aos hipermercados a comprar massa, arroz, leite, conservas, manteiga, papel higiénico, etc.etc. para entregarem aos cuidados do banco alimentar contra a fome.
A Srª Jonet convidaria os réis magos Belmiro, Jerónimo e Mexia para entrega, com toda a solenidade, de alguns parcos produtos à família recém chegada. Todas as TVs, rádios e jornais  fariam um exaustiva cobertura de tão "importante" acontecimento e os "réis magos" apareceriam como os grandes beneméritos e pessoas de bom coração.
Acabada a "festa" a família fazia-se ao caminho e rumaria para outros destinos enojada por tanta cretinice.
A vaca leiteira regressaria ao estábulo para pensar numa lei que proibisse as pessoas de terem mais de dois animais em casa.  O burro iria zurrar por esse campo fora proclamando que a natalidade tinha aumentado. Os camelos voltariam ao deserto, convocariam uma conferência  de imprensa para anunciarem que o desemprego tinha baixado em número de três.
O moço de estrebaria voltaria para a chafurdice arrastando-se na merda até ao próximo ano. Os "réis magos" voltariam aos seus castelos para calcularem os lucros da campanha engendrada pela ovelha Jonet. O mago Mexia regressaria ao seu palácio chinês e ordenava que cortassem a luz  eléctrica a todos o que não tivessem rendimentos para pagarem as facturas.
A Srª Jonet seria entrevistada pelo camaleão Crespo e faria um balanço positivo da campanha a favor da instituição que representa mas criticaria a família do puto por não se resignar aos sacrifícios, apelidando-os de calões , de  não quererem trabalhar e partirem para outros destinos sem terem em conta toda esta solidariedade que lhes foi prestada.
Para o ano há mais!