Além!

Porque o silêncio é às vezes o caminho mais dificil, é preciso encontrar avenidas de tambores a rufar entre tantas mordaças, para construir a sempre inacabada e desejada felicidade, de viver sempre a juventude presente. Tempo de desejo é sempre tempo de Futuro.

22 de novembro de 2016

A Manifestação de 18 de Novembro de 2016

Homens e mulheres de pele queimada pelo sol  e mãos calejadas de tantos e tantos anos a varrer, a limpar, a cuidar de ruas e jardins, a reparar esgotos e canos de água, de sistemas eléctricos e tantos outros que trabalham nas mais variadas tarefas, desfilaram debaixo de chuva intensa para protestarem  e reivindicarem salários dignos de quem trabalha, progressão nas carreiras, e tantos e tantos direitos que lhe têm sido roubados.
Desta vez não senti que fosse um passeio na avenida de copo de cerveja na mão para reencontrar amigos  que há mais de uma ano não se encontravam, desta vez vi gente determinada a lutar pelo que lhes é devido. Desta vez vi uma grande massa de homens e mulheres que executam os trabalhos mais duros, mais sujos, mas que ganham salários de miséria ao nível do mínimo nacional ou pouco mais.
Funcionários públicos são também aqueles que quase não se dá por eles, são os que trabalham noite dentro para recolherem o lixo que todos produzimos, que varrem, que conduzem máquinas, que recebem as crianças nas escolas, que lhes dão os almoços e que sem eles as escolas não funcionam, são os auxiliares do sistema de saúde que também sem eles não há hospitais que funcionem, são estes e tantos outros que têm sido caluniados, mal tratados, marginalizados por sucessivos governos apostados em liquidarem tudo o que é público para beneficio do que é privado.
Também ali estavam protestando centenas ou milhares de professores que reclamam dos horários excessivos, contra a precariedade, contra a bandalheira em que se encontra o ensino em Portugal.
Ali estavam as gentes que trabalham, os trabalhadores em funções públicas. Os colaboradores ficaram a lamber as botas aos chefes e superiores.

Sim , esta foi uma manifestação diferente, foi uma manifestação combativa para dizer não à paz social, foi uma manifestação de protesto e reivindicação. Espero que muitos tenham percebido a mensagem!

28 de outubro de 2015

“Alfredo”, “ o Mário”, “o Joaquim”, “o António”, “o Miguel”, e mais de cem operários que pagam para trabalhar. Pagam para trabalha!

“Alfredo”, “ o Mário”, “o Joaquim”, “o António”, “o Miguel”, e mais de cem operários que pagam para trabalhar. Pagam para trabalha!
Na região, ligada ao mesmo ramo, mais uma empresa onde mais de cem operários não recebem salários há mais de três meses.
Não há dinheiro para os salários de quem trabalha mas há muito dinheiro para luxos, para viagens e lojas para amantes, carros de grande cilindrada, autocaravanas.
Todos os dias os operários continuam a deslocar-se para o trabalho e produzem normalmente, pagando dos eu bolso o combustível e alimentação do dia-a-dia.
Anteriormente era afixada a lista dos trabalhadores, seus salários e montantes dos vencimentos a pagar por transferência bancária. Actualmente a lista continua a ser afixada com indicação de que os ficheiros foram enviados ao banco para respectivo pagamento dos salários, a diferença é que não o banco não paga porque o dinheiro não existe. Não pagam e ainda gozam com quem trabalha.
Há fome, há miséria e perda de habitação por falta de pagamento das prestações aos bancos. Há cortes na água e luz eléctrica porque os trabalhadores não têm dinheiro para pagamento das facturas.
A empresa continua a produzir normalmente, exporta parte da produção mas o dinheiro não chega aos bolsos de quem produz.
As autoridades nada fazem e são coniventes com os patrões que pouco ou nada se importam com a vida de quem trabalha.







25 de outubro de 2015

“Alfredo” paga para trabalha!

“Alfredo” paga para trabalha!

 “Alfredo” é um operário fabril que passa dez horas agarrado a uma prensa fabricando telhas, trabalha por turnos de dia e de noite e tem de fazer uns biscates para poder sobreviver.

O “Alfredo” ganha 530 euros por mês, gasta uns 100 euros de gasolina para ir trabalhar, gasta cerca de 150 euros por mês na sua alimentação, mesmo levando o comer de casa, sobram-lhe 280 euros para pagar a prestação da casa, para alimentar as duas filhas de 10 e 16 anos.

A empresa onde o “Alfredo” vende a sua força de trabalho tem uma situação desafogada, uma das melhores da região mas não perde oportunidade para baixar os rendimentos de quem trabalha: anteriormente “Alfredo” e os restantes trabalhadores (mais de 100) recebiam 25 euros extras por cada domingo trabalhado e recebiam também o subsídio de alimentação em tempo de folga, a pretexto da crise esses suplementos foram retirados; recentemente, também a pretexto da crise mas a empresa precisa que os trabalhadores trabalhem para além das horas normais, as horas extras que eram pagas em dinheiro passaram a contar para o banco de horas e a serem utilizadas de acordo com a disponibilidade da empresa e não de acordo com as necessidades dos trabalhadores. “Alfredo” e outros quatro trabalhadores do mesmo turno recusaram fazer horas extras se não forem pagas em dinheiro. “Alfredo” e os restantes colegas receio serem penalizados e discriminados por tal a posição de força. Mas “Alfredo” tem consciência de que já tem pouco a perder e vai levar a sua posição atá às últimas consequência.

Para alguns “papagaios” que enchem a boca com a defesa dos trabalhadores não basta aparecer de quatro em quatro anos a fazer campanha eleitoras e distribuir uns panfletos, é necessário conhecer a realidade do dia a adia de quem vive uma vida de miséria, que se esfola a trabalhar mas que não vê resultado do seu esforça. É preciso estar lá, conhecer no concreto cada situação, falar muito e permanentemente com os operários, com os trabalhadores e encaminhar o seu descontentamento no sentido da luta efetiva através das organizações de classe que os representam.

Nota final – infelizmente a ditadura burguesa que se implantou em Portugal não me permite divulgar o nome real do “Alfredo” sob pena de amanhã não ser impedido de ocupar o seu posto de trabalho que apesar de mal remunerado é necessário para pagar o pão do dia a dia.  


17 de maio de 2015

SÃO TODOS IGUAIS?

SÃO TODOS IGUAIS?

Claro que não são todos iguais mas são muito parecidos e estão ao nível do mais sujo e reaccionário que se pratica por aí.

Na política não basta apregoar boas práticas é preciso provar na  que somos diferentes.Comunistas e gente que se diz de esquerda, `a frente de direcções de colectividades, IPSS e outras instituições, que na prática fazem o mesmo e actuam como os patrões mais retrógrados e reaccionários, mais vale que se demitam e não enxovalhem o bom nome do partido a que pertencem. Explorar, humilhar, discriminar e mal tratar os trabalhadores não está de acordo com os princípios que defendem ou que dizem defender.

O Centro Cénico da Cela, uma instituição fundada antes do 25 de Abril de raízes antifascista  e linhas  progressistas, comporta-se hoje como qualquer empresa capitalista e como os patrões saudosistas do passado. Há muito que me chegam críticas à actuação da direcção do Centro Cénico da Cela para com os trabalhadores: Utilização dos mecanismos anti-sociais implementados pelos diversos governos de direita – contratos a prazo; estágios profissionais de duvidosa utilidade para quem trabalha, a não ser o camuflar o desemprego e as instituições usufruírem de mão-de-obra gratuita…   

 Recentemente a direcção do Centro Cénico da Cela despediu uma trabalhadora que estava com contrato a prazo mas teve o “azar” de querer ter mais um filho. A senhora teve de meter baixa por se tratar de uma gravidez de risco e a direcção despediu-a antes de acabar o fim do respectivo contrato precário. 

Esquece a direcção do Centro Cénico da Cela o mais elementar direito de quem trabalha: Direito ao trabalho, à vida digna, à maternidade e a ser pai ou mãe, a ter filhos que um dia mais tarde poderão alimentar o negócio das creches do Centro Cénico e de tantas outras que por aí existem.

Poderão as “virgens” ofendidas criticar-me por denunciar esta situação publicamente mas não ficaria bem com a minha consciência e com os princípios que defendo se pactuasse com estas injustiças. Infelizmente não é situação única na região. Anteriormente outras seguiram o mesmo caminho e desprezaram quem trabalha e se esforça para dar o seu melhor em prol destas instituições e    na altura foram por mim e por outros denunciadas. 

Terão sempre o meu desprezo e a minha voz activa na denúncia destas injustiças.

Caetano Tofes

Peço desculpas aos Srs. Dirigentes, indignados, do Centro Cénico da Cela porque errei. Afinal a trabalhadora não foi despedida, foi convidada a despedir-se mas como recusou recebeu uma carta de despedimento 1 mês antes de caducar o contrato de um ano que tinha com a instituição.
Uma semana depois estavam pedidos no Centro de Desemprego para a mesma tarefa da trabalhadora despedida.
Parece que só os dirigentes não sabiam que a trabalhadora estava grávida quando esta teve o cuidado de informar, primeiro que a sua família, os seus superiores, colegas e utentes da sua situação de futura mãe.
É melhor ficarmos por aqui e que no futuro não voltem a acontecer casos destes porque há casos muito mais graves e recorrentes.


7 de maio de 2015

Escravatura do século XXI


Na DERONE Confecções SA,http://www.derone-sa.pt/ empresa têxtil de S. Mamede, concelho da Batalha, os trabalhadores não recebem há dois meses e meio os seus baixos salários por inteiro. Em Março receberam apenas 200 euros cada um e com uma advertência dos patrões para que poupassem aqueles míseros euros.
Na DERONE Confecções SA  as 300 trabalhadoras apesar de não receberem continuam a deslocar-se diariamente com despesas de gasolina, desgaste das viaturas,  refeições  para assegurarem a produção de artigos destinados à exportação. As trabalhadoras pagam para trabalharem e o patrão fica com tudo.
Onde anda a Autoridade para As condições do Trabalho que não intervém, que não investiga a razão de naquela a produção continua a fazer-se sem interrupção, os produtos são exportados regularmente mas o dinheiro não chega aos bolsos das trabalhadoras?
E o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis e Lanifícios que tem feito para organizar, unir e esclarecer as trabalhadoras no sentido de reivindicarem e lutarem pelo que lhes pertence? Não são sindicalizadas? - Mas são trabalhadoras a necessitarem de ajuda, de solidariedade, de intervenção de todas as formas para que justiça seja feita.
A Liberdade e a Democracia ainda não passaram por aqui, o medo, a repressão estão presentes em muitas empresas como a DERONE Confecções SA. Mesmo sem receberem os patrões, ajudados pelos seus encarregados lacaios, continuam a exigir das trabalhadoras mais produção, maior produtividade, mais motivação, mais e mais trabalho.
Como é possível que dois patrões/patroas consigam manietar, amedrontar e gozarem com 300 trabalhadoras abnegadas, esforçadas que trabalham mas não recebem nada pelo seu esforço despendido?  
AS trabalhadoras perderam o salário e correm o risco de perderem o posto de trabalho, nada resta. Já toleraram tudo: A falta de salário, a falta de respeito por parte dos patrões, a repressão, a humilhação mas continuam a produzir e a deslocarem-se diariamente para o seu local de trabalho.
As trabalhadoras têm de lutar, têm de reivindicar o que lhes pertence, têm direito ao salário a viverem a sua vida com dignidade. Têm o direito e dever de não trabalharem enquanto os seus direitos não forem respeitados sobe pena de perderem o salário, o emprego e hipotecarem o seu futuro.

Esta empresa encerrou e as 300 trabalhadoras foram para o desemprego.




20 de novembro de 2013

Se o Menino nascesse hoje!

Se o menino Jesus nascesse hoje sua mãe ia pari-lo numa "cantina social" - sopa dos pobres- o padre Melicias faria uma oferta duns trapinhos velhos rotos e sujos que lhe sobraram das campanhas a favor de Timor. D. Policarpo daria a sua bênção pela vinda de tão frágil criatura a este mundo de merda e apelaria à resignação e à humildade para uma vida futura de miséria e pobreza.
Assunção Cristas faria de vaca leiteira mas a criança nascia com alergia ao leite de vaca. O Mota Soares faria de burro e o puto ficaria de olhos esbugalhados por nunca ter visto um burro a andar de lambreta.
Paulo Portas e Paços Coelho seriam os camelos vindos deste deserto lusitano para apelarem à contenção das despesas do casal e ditarem  que não se safariam de pagar um imposto de sobrevivência.
Todas as ovelhas ranhosas do governo viriam em massa cheirar onde  ir roubar mais alguma coisa.
Cavaco Silva seria o moço de estrebaria que zela pela imundice deste estábulo à beira mar plantado. 
A Srª Isabel Jonet faria um apelo à generosidade do bom povo português para contribuírem nesta data tão significativa, o povo correria aos hipermercados a comprar massa, arroz, leite, conservas, manteiga, papel higiénico, etc.etc. para entregarem aos cuidados do banco alimentar contra a fome.
A Srª Jonet convidaria os réis magos Belmiro, Jerónimo e Mexia para entrega, com toda a solenidade, de alguns parcos produtos à família recém chegada. Todas as TVs, rádios e jornais  fariam um exaustiva cobertura de tão "importante" acontecimento e os "réis magos" apareceriam como os grandes beneméritos e pessoas de bom coração.
Acabada a "festa" a família fazia-se ao caminho e rumaria para outros destinos enojada por tanta cretinice.
A vaca leiteira regressaria ao estábulo para pensar numa lei que proibisse as pessoas de terem mais de dois animais em casa.  O burro iria zurrar por esse campo fora proclamando que a natalidade tinha aumentado. Os camelos voltariam ao deserto, convocariam uma conferência  de imprensa para anunciarem que o desemprego tinha baixado em número de três.
O moço de estrebaria voltaria para a chafurdice arrastando-se na merda até ao próximo ano. Os "réis magos" voltariam aos seus castelos para calcularem os lucros da campanha engendrada pela ovelha Jonet. O mago Mexia regressaria ao seu palácio chinês e ordenava que cortassem a luz  eléctrica a todos o que não tivessem rendimentos para pagarem as facturas.
A Srª Jonet seria entrevistada pelo camaleão Crespo e faria um balanço positivo da campanha a favor da instituição que representa mas criticaria a família do puto por não se resignar aos sacrifícios, apelidando-os de calões , de  não quererem trabalhar e partirem para outros destinos sem terem em conta toda esta solidariedade que lhes foi prestada.
Para o ano há mais!

4 de outubro de 2013

A propósito das 40 horas semanais

Para aqueles trabalhadores que ficam radiantes com o aumento da carga horária na função pública, é bom esclarecer o seguinte:

 - O capital e seus lacaios instalados no governo têm como objectivo o aumento dos lucros para os capitalistas e perpectuar o desemprego como forma de trazer os trabalhadores amedrontados;

- Ao obrigar os trabalhadores do estado a trabalharem 40 horas semanais, em vez das 35, pretende amarrar todos os trabalhadores ao aumento da jornada de trabalho. Qualquer pretensão dos trabalhadores do privado pela redução da carga horária esbarra com os condicionalismos desta lei;

- Com o aumento da carga horária para os os trabalhadores, o patronato reaccionário e seus serventuários  aumento os seus lucros aumentado a taxa de mais-valia.

As duas vias de aumento da mais-valia

1 – Ela pode ser aumentada por meio do prolongamento da jornada de trabalho, já que neste caso cresce o tempo de trabalho suplementar. – Esta é a mais-valia absoluta.

Na época actual a mais-valia absoluta existe em forma do aumento da intensidade do trabalho, na redução das horas de descanso, etc.


2 – Segunda forma é a mais-valia relativa. Conseguida em resultado do aumento da produtividade do trabalho, em todos os ramos da economia nacional ou nos ramos que produzem os meios de subsistência do operário e dos membros da sua família.

Na sociedade capitalista, a associação da força de trabalho aos meios de produção efectua-se através da compra e venda, através do mercado, em que o capitalista adquire a força de trabalho e os meios de produção.

Por isso, o processo de trabalho é um processo de consumo da força de trabalho do operário assalariado pelo capitalista e distingue-se por duas particularidades:

- Primeiro lugar, efectua-se para o capitalista e debaixo do controlo do capitalista. O capitalista monopolizou os meios de produção e dispõe livremente, durante o tempo de trabalho, da força de trabalho que adquiriu como mercadoria.

- Em segundo lugar, o produto criado no processo de trabalho não pertence ao seu produtor directo, ao operário assalariado, mas sim ao capitalista.
Ao comprar os meios de produção e a força de trabalho, o capitalista pensa em duas coisas:

- Primeiro quer produzir um valor de uso dotado de valor de troca, quer dizer, mercadoria;

Em segundo lugar, quer produzir uma mercadoria cujo valor seja maior que o valor inicialmente investido por ele, com o fim de obter mais-valia.

Os valores de uso, por si só, não interessam ao capitalista, tanto se lhe dá produzir camiões, manteiga, sapatos ou qualquer outra coisa. A produção de valor de uso só lhe é necessária enquanto este for portador material de valor. No processo de criação de mercadorias o que interessa ao capitalista é obter a mais- valia.

A essência do processo de produção como incremento de valor e de criação de mais-valia consiste no consumo de uma mercadoria específica, a força de trabalho pelo capitalista.

Supúnhamos que um capitalista organiza a produção de sapatos e que numa jornada de 8 horas a empresa fabrica 1000 pares de sapatos, em cuja produção participam 100 operários.

Admitamos que o capitalista gastou as seguintes somas, em dinheiro, para aquisição de meios de produção:

.Edifícios, instalações (desgaste dia) -----------------------100 euros.
. Máquinas e outros meios de desgaste (desgaste dia-----100 euros.  
. Matéria-prima, materiais e combustível (desgaste dia) -2000 euros.

Admitamos que o montante médio dos meios de subsistência diária de um trabalhador requer 4 horas de trabalho médio para a sua reprodução e que o valor diário da força de trabalho de um operário sejam 6 euros, portanto o capitalista investiu 600 euros.
Assim todos os gastos do capitalista para produzir os 1000 pares de sapatos será de 2800 euros.

Ao produzir os sapatos, os operários gastam certa quantidade de trabalho vivo.
O seu trabalho reveste-se de duplo carácter: por um lado é trabalho concreto e, por outro, trabalho abstracto. No processo de produção, os operários modificam com o seu trabalho concreto, os valores de uso das matérias-primas e dos materiais auxiliares e criam novo valor de uso. Os valores dos meios de produção gastos conservam-se e transferem-se ao produto fabricado.

A transferência do valor dos meios de produção à mercadoria recém criada é efectuada pelo trabalho concreto do operário.

No exemplo aduzido, este valor será de 2200 euros (igual aos gastos do capitalista em aquisição de meios de produção).

Ao mesmo tempo, com o seu trabalho abstracto, os operários criaram um novo valor. 

Admitamos que cada operário cria numa hora o equivalente a 2 euros, os 100 operários criam neste tempo, durante as 8 horas da jornada de trabalho, um novo valor equivalente a 1600 euros.
Assim o valor de 100 pares de sapatos compreende:

- O valor dos meios de produção consumidos e transferidos ao produto criado igual a ---------------------2200 euros.
- O novo valor criado pelo trabalho de 100 operários durante as 8 horas da jornada, igual a ----------1600 euros.

Ao vender os sapatos de acordo com o valor, o capitalista embolsa mais dinheiro que o antecipado.

 A diferença entre o valor de 1000 pares de sapatos e o antecipado para a sua produção é igual a 1000 euros, (D’ – D =3800-2800) estes 1000 euros constituem precisamente a mais-valia.

O valor antecipado pelo capitalista aumentou porque os operários trabalharam mais tempo que o necessário para reproduzir o equivalente do valor da sua força de trabalho.

No exemplo dado, os operários deveriam trabalhar apenas 4 horas para reporem o equivalente do valor da sua força de trabalho (se só trabalhassem as 4 horas nenhuma mais-valia ou nenhum sobre produto iria para o capitalista) mas trabalharam 8 horas. Por isso criaram um valor maior que o da sua força de trabalho, o capitalista adquiriu o direito de utilizar seu valor de uso durante toda a jornada de trabalho e obriga os operários a trabalharem 8 horas e não 4.

Nota: o dinheiro antecipado pelo capitalista para contratar mão-de-obra é empregue para manter a actividade vital dos operários, isto é, para adquirirem artigos de uso, de consumo e pagarem serviços, etc.

Ver Karl Marx. Obras Escolhidas. Edições Avante. Tomo II pág. 58 e 59.